Sobre a importância do corpo na encarnação e sobre o amor.

Eu vi um monge na minha mente, vestindo branco, talvez, ou dourado, cabeça raspada.

Há paz.

Não há uma paz que não leve à fonte, eu ouvi. As pessoas esquecem de se ouvir, de
sentar e refletir. O que o corpo esconde? Momentos como esses são importantes.
É sentir a fonte, o planeta.

Não é possível se esconder de momentos como esse aqui. A escuridão passou. A luz reclamou o que é dela por direito. Você tem um coração eleito — ou de um eleito — e o seu caminho
termina aqui.

É como se eu visse uma linda bola com algo branco dentro, dourado, brilhando. Uma energia
que está chegando e eu não sei explicar, nunca tinha visto.

Às vezes não é preciso saber explicar. É preciso sentir. Sinta como nunca antes, como poucos
antes de você puderam sentir. O seu corpo não é uma armadura, ele é um portal
para transmitir a herança do sentir. O corpo é para sentir e é por isso que vocês estão aqui. É preciso sentir para aprender, para desenvolver a experiência que a consciência veio viver. É preciso sentir.

Eu estou noutro estado, meu corpo está… Muito interessante, muito interessante! Eu estou muito lá…

Vocês não são ensinados a sentir. Vocês não são ensinados a refletir. Porque olhar para
dentro é perda de tempo, é depressão, é desentendimento. Olhar para dentro é
egoísmo, é limitação. O que é importante está fora, está na multidão, está na
imensidão. Mas, sem se conhecer, você não consegue se conectar, você não consegue saber quem você é, onde você está.

Joga-se fora a cada momento de dor e sofrimento, quando é neles que nós devemos nos apegar. Não à dor, não ao sofrimento, mas ao que o corpo quer falar. O que a experiência veio ensinar. O que cada um vive é herança, é esperança. Se você viveu e sentiu e não esqueceu, você aprendeu e você pode seguir. Se você viveu, não sentiu e escondeu, você vai ter
que repetir tudo e sentir de novo o que aconteceu. Não é sobre entender, não é sobre viver, é sobre deixar acontecer, deixar a consciência guiar e levar.

O mundo gira numa nova direção, em que cada um deve elevar a sua própria mão e perguntar: O que daqui eu vim levar? Porque sim, nós levamos conosco da encarnação, aprendizados e emoção.

Somente no corpo físico se pode experienciar a energia que é amar. Fora do corpo físico,
se sente o amor, mas não há onde o amor vibrar.

Alguém disse: “Você sabe o que eu quero falar.”

E é… É o corpo literalmente vibrando quando uma energia chega, quando a gente reage a uma energia; especialmente àquelas de acolhimento, de amor. O abraço daquela pessoa, o olhar. É o corpo vibrando aquela energia.

Não há mais o que falar, alguém disse.

O corpo é mais do que um receptor. O corpo é um potencializador de experiências, de
energias, de potencialidades. O corpo permite a vivência, a experiência, a sensação. O corpo é mais do que uma vestimenta; ele permite sentir a vibração. É com ele que você vai testemunhar a elevação.

Muitos se perguntam por que amar de coração? Quando é tão difícil olhar a intenção… Nós
não amamos a intenção, nós amamos o ser por trás do movimento, da criação. Quando tudo era nada, todos nós éramos uma coisa só. Inertes, incapazes de nos diferenciar. E é a isso, ou é a isso que devemos voltar. Não importa a intenção. O amor vive no coração de quem sente e não se arrepende de amar. O amor é uma constante, uma energia viciante que pode paralisar.

Mas entenda bem: O amor por si vem libertar e não amarrar ou limitar. O amor não limita. O
Amor, escancara portas e deixa ir. O amor liberta, libera e manda voar. Então, se o amor que você sente é diferente, olhe, pois isso não é amar, isso é limitar. E limitação deve levar ao momento de introspecção. E de inspecionar o próprio sentimento e entendimento. Pois amar é como a água do mar… Quantos oceanos vocês têm na Terra? Eles são todos uma coisa só, mas vocês dão nomes diferentes. Alguns deles nem se encontram, mas se conectam por “parentes”.

O que nós queremos dizer é que amar não é sinônimo de participar, de estar presente. Amar é sinônimo de reconhecer no outro a sua beleza e liberar essa beleza para o mundo reconhecê-la. E estimular essa beleza para ela brilhar e se elevar, independentemente de onde você irá ficar.

Essa é a lição de hoje: do amor sem conta. Do amor sem intolerância. Do amor sem
limites. Do amor sem justificar.

A ausência do corpo às vezes limita o amar. Se assim é, de novo olhe para dentro; você precisa se reformar e reformular o seu entendimento. O amor é um movimento energético constante de ir e voltar. Porque, quando vai, vai do seu coração. E quando volta, volta refletido, do seu verdadeiro coração até você.

Quando você enviar amor e voltar dor, reflita: será que você enviou amor? Não é possível
que volte algo para você que você não enviou. Não confunda amor com dor. Se o amor traz dor, o corpo precisa sentar e pensar, e refletir, e orar, e esperar.

Nem tudo o que é agora conhecido será sempre a verdade. As verdades estão caindo por
terra, como vocês dizem. Pois a verdade e a realidade dependem do ponto de vista. E a sociedade só quer receber e não quer conhecer aquilo que talvez a limite de ter poder.

O que vocês entendem por amor muitas vezes é o poder sobre o outro. É o exercer a força sobre o outro. É o querer algo do outro. E isso é sobre poder. Ou sobre faltar. Ou sobre pesar.

De novo, o amor deixa ir, o amor faz liberar. O amor permite sentir a sua vibração em
qualquer lugar. Ele está além do mar agora e só lhe faz sorrir. Isso é amar. Não é possuir. Nós podemos amar à distância. Mesmo na inconcordância do que é sentir, do que é conhecer,
do que é ouvir.

A criança entende, o adulto complica. Então se faça sentir. O corpo precisa sentir. O corpo precisa se permitir viver, experienciar sem sofrer, porque sofrer é sinônimo de sentir e não de receber.

Um dia há de liberar a nova canção. Sinta com o coração A luz que irá chegar. Para
celebrar o seu coração. Bendito espírito que espera na luz, que confia, entrega e conduz à mais pura observação.

Observar permite conhecer, permite entender, permite sentir. Permite a emoção de não vencer. A emoção deve ser sentida, mas não deve ser permitido que ela tome o corpo e a sensação. A emoção é só uma maneira de ver no corpo aquilo que a consciência quer trazer para essa vivência, essa encarnação. Então sinta a comunhão do corpo, da consciência, da presença sem consternação.

Sinta a paz que flui. Sinta a conexão. E se lembre do amor. Ele vive, ele perdura. E, em eras, você vai entender que o amor é um entendimento muito rústico, muito antiquado e que só faz sentido aí onde você está vivendo. Onde vocês precisam de razão para se conectar uns com os outros, porque acham que há separação, quando, na verdade, tudo isso é só ilusão do ser encarnado.

O corpo é um limitador, mas permite aprender sobre o amor da maneira mais primitiva e menos saudável. Aos poucos vai se elucidando, o caminho vai se mostrando, e é possível entender que nós somos o todo, nós somos o tudo. E nada é preciso discutir, nada é preciso fazer: “Eu sinto como você; você sente como eu”.

Às vezes basta olhar, às vezes nem é preciso olhar para saber. E, paralelamente, seguimos a caminhar os nossos caminhos, a evoluir, a conduzir as nossas encarnações para as histórias que queremos viver e aprender. E para as conexões que queremos fazer ou reviver. Assim é.

Abra o coração e veja e pense na ilusão do ser individual. Ame o irmão, mas deixe-o ir na ocasião em que os caminhos se separarem. Se dor sentir, lembre-se de que o corpo está aqui para viver, para potencializar e para não permitir esquecer.

Sinta. Reflita. Olhe. Encare a dor. E verá que ela é um reflexo de algo que precisa
ser olhado, algo dentro de si que precisa ser amado, abraçado, acarinhado.

Não se permita sentir dor sem a sua presença, sem a presença. A presença é o fato preponderante da vida. Presencie a sua existência, presencie a sua vivência com prazer, mesmo que o corpo sinta a dor e não saiba o que fazer. Lembre-se de que amanhã pode ser que você não esteja mais com ele. E o que você levou disso? O que você aprendeu disso? Só você pode dizer.

10 de Junho, 00h33.

Deixe um comentário

treze + 15 =