Quem nos ama nos liberta, não nos limita.

Eu chamo meu Eu Superior para me ajudar a descrever…

Em meio a um céu encoberto, a Lua se insinua. A Lua crescente se apresenta iluminada, sozinha, empoderada no céu.

Meu coração está pesado, mas eu fui chamada a sentar. Admito que eu só queria sentir e talvez finalmente receber algum entendimento sobre o que está acontecendo.

Eu não sei de onde vem essa energia, se é minha, se é externa, se o meu cardíaco está pesado por tentar conectar as energias da Terra com as energias mais elevadas que estão à minha volta. No fundo, algo me diz “acabou” e me traz um sentimento de pesar sobre o que não foi vivido. De novo.

Que sofrido movimento foi encerrado? E que energias eu estou processando? O meu corpo desconhece, o meu ego não entende e a minha mente está receosa. É como se a qualquer momento algo fosse pular da escuridão para a luz bem na minha frente. Um conhecimento esquecido pela mente, mas que o campo parece querer resgatar.

Minha respiração está diferente, e se eu pudesse, eu ficaria enrolada e continuaria a chorar. Não é a primeira vez que me sinto assim, mas agora parece diferente, ainda mais profundo e “permanente” – é a palavra que me veio à mente.

Enquanto todos buscam alegria, eu só tento encontrar a sanidade. Eu queria voltar a sentir o meu corpo como ele é, sem essa ansiedade. Longas horas se somam a um ano interminável e, por vezes, considerado infrutífero. Eu sonhei, sonhei e sonhei. E quando acordei, estava no mesmo lugar. Com a diferença de que agora tudo parece errado e de que algo me foi tirado e levado para algum lugar ao longe, onde eu não posso mais alcançar. Há um buraco na minha alma, embora eu saiba que isso não existe, é assim que eu me sinto: isolada, perdida, incapaz de me conectar e até mesmo de me comunicar. Eu só consigo focar nesse pulsar insano que preenche minhas entranhas com confusão e uma certa dor. E amor, eu ouvi.

Eu busquei respostas na conexão. Eu entendi que vivi numa ilusão e que me perdi ali. Eu sonhei com algo que todo ser humano merece viver, e o que eu recebi foi um choque de “realidade”. Eu percebo mais e mais que algo que é meu é o romantizar. De onde isso veio? Veio comigo, é o que importa. E eu carrego isso escondido do mundo, reservando minhas expectativas somente para mim, entendendo e aceitando toda resposta vaga que eu recebo, tentando materializar uma realidade que de real não tem nada. Não para mim.

Eu sou aquela que sorri ao lembrar de um olhar que eu nunca vi, aquela que sente a emoção chegar e envia amor de volta, aquela que senta e que espera. E espera. E espera mais. Eu estendi amor além do que eu mesma achei que era possível a uma conexão que não está manifestada, e os dias têm me trazido, sem cessar, mensagens para acentuar a sensação de que tudo está no lugar certo. Será?

Quando a gente aprende a limitar a nossa própria ação no movimento? Quando a gente entende que é preciso haver equilíbrio para que não haja dor? Eu sou aquela que doa na ilusão de receber. E que, quando recebe, é vago, insuficiente, ilusório. Mas onde então mora a principal questão a ser vista aqui? A resposta mora em mim e em como eu me permito agir e sentir pelo outro. E acabou.

Uma mistura de sentimentos vem à tona nesse momento enquanto eu tento tomar minha própria decisão. É importante refletir sobre as migalhas que são trazidas para nosso caminho. Por que eu aceito se eu estou disposta a dar mais, se eu dou mais? Desculpa, eu não quero mais. Eu respeito o momento de cada um, mas se você não pode estar presente quando eu preciso e como eu necessito, então se retire e siga seu caminho em paz, mas finalmente permitindo que eu siga o meu. Por que nos limitamos e permitimos ficar presos a movimentos que são somente um arremedo de amor, onde dizem te valorizar, mas sequer sabem te respeitar?

Eu tive que mergulhar fundo hoje para entender que, assim como o outro tem direito a ter seu próprio tempo e dizer que não está pronto, eu tenho o dever comigo mesma de dizer o que eu desejo nesse momento e então seguir por outro caminho. Eu não preciso aceitar o que não serve para mim. E isso não serve para mim.

A você que estiver lendo: você merece o amor que dá. Então jamais use como desculpa o “por agora é só o que eu posso dar”. Se há pouco a dar, olhe para dentro e nutra em você o amor, cresça e então só depois tente se conectar com alguém. Não se pode dar aquilo que não se tem. Não prenda ninguém na ilusão de “amanhã estarei pronto”, isso não é justo com ninguém. E lembre-se de que energeticamente a conexão existe, intensa, mesmo à distância. Quando estender seu pensamento a alguém, deseje paz e que encontre a luz por seus caminhos, que receba aquilo que merece. E quem sabe, um dia, os caminhos voltem a se encontrar. Ou não. Quem nos ama nos liberta, não nos limita.

E assim se encerra a conexão. Até a próxima vida (eu ouvi).

25 de dezembro, 21h05.

Deixe um comentário

7 − 5 =