Quando o corpo anseia na 3D por uma energia que somente seu Eu da 5D conhece

Eu já precisei ouvir constantemente uma voz, eu ansiava por ela. Meu corpo vibrava, esperando, necessitando dessa conexão e da falsa sensação de conforto. Mas a presença realçava cada vez mais a ausência. E a insatisfação aumentava.

Foi preciso sentir muita dor para eu finalmente aceitar que era hora de deixar ir. Eu finalmente havia percebido que, enquanto eu esperava – e de certa forma idolatrava alguém que eu nem conheço –, eu priorizava uma relação imaginária acima de mim mesma. E eu, enfim, me escolhi. Diante da falta do outro, eu encontrei em mim mesma a resposta: eu mereço ser completa e feliz. No entanto, para isso, eu precisei liberar a energia e partir sem nada além da lembrança.

A conexão, que era constante, agora é esporádica. O rosto que aparecia frequentemente na minha mente já não me visita mais. E o aperto nos chacras sacro e umbilical são raros e mais toleráveis.

Eu encontrei relatos sobre como a energia do masculino se sustenta na energia do feminino e como isso impacta nosso campo. É curioso que, somente quando isso foi liberado, eu percebi o peso que era e como isso acionava muitos gatilhos em mim, em especial aquele que diz que eu estou sozinha porque não mereço amor.

Incrível como uma energia que deveria nos fazer sentir em casa ativa todos os nossos piores sentimentos e emoções. Eu me senti em carne viva tantas vezes, outras tantas eu queria arrancar minha própria pele e me libertar. Eu doía, eu gritava, mas só podia contar comigo mesma. Eu estava sozinha para realizar o processo mais fragilizador, durante o qual eu estava exposta, nua, incapaz de me proteger e de reagir – eu só podia sentir e isso era como mil espadas transpassando o meu corpo.

Nós somos chamadas a sentir. O feminino é quem se conecta com as outras dimensões e, enquanto o corpo da 3D tenta entrar em sintonia com o que acontece acima, parece que vivemos divididas e sob uma pressão que eu não sei descrever. De novo, eu queria arrancar minha própria pele e me libertar.

Quantas vezes eu “passei a mão na cabeça” do masculino, afinal ele não tem responsabilidade sobre o que eu sinto, isso é meu… Mas somente quando o balde encheu e eu percebi que tinha feito demais é que eu me libertei. Eu precisei perceber que eu investi energia constantemente no processo, sem retorno algum, e que eu havia dado tudo o que tinha e, no entanto, nada era suficiente. Finalmente eu consegui dar um basta. Não, sem antes ressentir a falta dele e o fato de que a energia dele parecia sempre vir buscar refúgio na minha, sem se preocupar se estava invadindo. Mas eu deixei de permitir o movimento e uma certa paz voltou para o meu interior.

Agora que eu tenho somente meu próprio campo e a minha própria energia para gerir, eu sinto certa serenidade. Há um silêncio interior. Nas minhas meditações e canalizações, as respostas são curtas e têm algo mantido “escondido”, algo no processo que eu não vejo e que assim deve ser mantido.

Enquanto eu escrevo, meu chacra cardíaco se ativou. Eu sinto nele saudade, a percepção profunda da ausência de alguém. Mas eu não sei se essa energia é minha. Não, creio que não é. Eu sempre estive aqui, disponível, presente, mas isso não foi suficiente para fazer a energia masculina se revelar. Eu a sinto buscando algo, mas eu estou fechada para dar enquanto ela não se fortalecer e se permitir sentir.

Eu já sei que, para me conectar, eu preciso ser vulnerável; agora é hora de ele perceber que ele precisa se permitir ser amado e, para isso, ele precisa se amar. Eu não estou aqui para preencher nada em ninguém. Eu estou aqui somente para ser eu mesma e aprender o que tiver que aprender. Nossos caminhos andam juntos, mas não se colapsam. Nós precisamos estar inteiros para seguir na jornada.

Até aqui eu percebi que, para me sentir completa, eu precisava deixá-lo seguir na sua própria velocidade. Foi necessário que ele carregasse seu próprio peso e suas próprias dores. Mas nossos caminhos nos levam ao mesmo lugar. E talvez, em tempo oportuno, ele possa me alcançar.

Eu ainda sonho com o seu olhar.

29 de dezembro, 23h07.

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