Essa foi a frase que eu ouvi ao me sentar para escrever. Sinto que alguém quer falar. Que algo precisa chegar.
Esse ano tem sido especialmente desafiador. Eu fui chamada para me descascar e, a cada camada, algo novo era visto, um novo gatilho aparecia. E aos poucos eu fui me despindo de mim mesma. Eu fui me despindo daquela que eu acreditava ser até que não resta muito mais aqui. Eu não sei mais quem eu sou, não faço a menor ideia de para onde vou, é o dia que dita minha “rotina” e eu constantemente checo o que meu corpo sente e o que a minha mente traz. Eu me sinto doida, às vezes (sempre).
É importante observar que, ao olhar para dentro, eu me obriguei a ver, sentir e permitir que muitas situações do passado retornassem. Eu fui trabalhando aos poucos meus “traumas” da infância, o sentimento forte de abandono e a falsa sensação de solidão. Nada disso é agradável de se ver, muito menos de se sentir. E eu senti tudo o que eu passei pela vida da Cristiane, de novo e de novo esse ano.
Não foi uma vez que eu olhei e tentei entender as razões por trás da escassez, o medo de me relacionar, a necessidade de me isolar, a falta de coragem de falar a minha verdade. E cá estou eu hoje. Muito já foi visto, mas o processo é constante.
Eu queria entender quem eu sou mais do que tudo. Eu queria entender por que eu ajo de determinadas maneiras diante de algumas situações. E eu fui atrás sem culpar o meio pelo qual o gatilho aparece, me permitindo sentir, ouvir o que eu tinha para dizer. Hoje eu sinto que muito me “curei”. Nós usamos essa palavra, mas ela é só uma falsa representação do processo. Eu não precisava de cura, eu precisava me conhecer. E me conhecendo, eu sei o que as situações vão me trazer em termos de sentimentos e eu reconheço cada vez mais cedo e abraço o processo quando isso acontece.
Se isso serve para todos? Sinceramente, sim e não. Todos podem se beneficiar com o processo, mas se conhecer é algo terrivelmente assustador, especialmente se você julga tudo como errado, feio ou ruim. Eu não sou cheia de falhas, defeitos ou problemas. Eu sou cheia de luz e aceito que eu ainda tenho muito a aprender.
Eu quero lembrar a qualquer um que ler isso que o coração vai mandar o sinal no momento em que o processo deve começar. Ele fica pesado, dolorido e parece querer falar algo, mas fica difícil de processar tudo o que está acontecendo. Esse é o momento de olhar. E como você vai fazer isso depende de você. Busque a religião, terapia, meditação. Busque algo que em sua base tenha o amor e que trabalhe em devolver o seu amor próprio e em revelar a sua luz. Não há certo ou errado, cada um tem seu próprio caminho.
Para terminar, eu não sei se algo aqui faz sentido. Meu Eu Superior só está escrevendo e minha mente tirou folga aqui.
Então, somente se lembre de que olhar para dentro é um ato de amor seu para a pessoa mais importante desse mundo: você mesmo! E mesmo que você pense que poderia ser melhor em alguma área, ame o entendimento que tem, o ponto de onde partiu e se permita viver e fazer melhor da próxima vez, se não conseguiu fazê-lo agora. Saia desse ano levando a certeza no coração de que você fez o que podia por si mesmo e que no próximo ano continuará nesse mesmo processo. Porque você merece se amar. Porque você é Luz! Porque você é parte do Criador e reflete a criação todos os dias.
Assim é. Assim seja. Assim será.
Eu me reservo um momento especial para falar àquele que virá: “Na noite de Natal eu te esperarei em meus sonhos e lá te encontrarei. Sua luz vibra intensamente em mim e eu te sinto em todo lugar que eu vou. Pode parecer confuso ou ilusão, mas eu sei, por uma canção que eu recitei, que você está em sua melhor versão. E assim eu te verei.”
22 de dezembro, 18h18